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Laurie Anderson

por Magno Silveira em 14/03/2012

Às vésperas de começar algumas práticas de gravura usando ferramentas e suporte tradicionais, no atelier do amigo George Gütlich (ok, zg, vc venceu!), recebo um livro aguardado há semanas: Night Life. Laurie Anderson é sua autora e ela me fascina desde os anos 1980 quando nos empolgou com O Superman – música crítica-minimalista-sintética-mântrica …
Em 2005, Laurie Anderson fez uma série de shows solo que chamou de The End of the Moon. Grande contadora de histórias, diz que naquela temporada começou a ter sonhos muito vívidos e instigantes. “I began to draw my dreams literally out of self-defense”.
Armada de um computador e tablet colocados ao lado de sua cama, nos hotéis, ela acordava no meio da noite e registrava os sonhos de maneira imediata, sem procurar interpretar ou pensar nos seus significados. Os desenhos e pinturas resultantes desse processo estão em Night Life, acompanhados de pequenos textos prosa-poéticos relativos ao sonho.
Laurie Anderson, artista da vanguarda multimídia no tempo em que ainda nem sabíamos muito bem a abrangência desta palavra (hoje fora de moda), continua a me inspirar. Fico pensando sobre a importância de se dominar a técnica tradicional da gravura (ou demais técnicas) para chegarmos a uma expressão artística, face à urgência existencial de registrarmos as imagens que habitam nossos sonhos. Interessam-me os gadgets, as tablets, os Macs porque eles me permitem a urgência. Os suportes e ferramentas tradicionais – tintas, grafite, goivas, metais e suas alquimias, ocupam o espaço atemporal das virtuoses. Formam uma espécie de bússola que nos ajuda na viagem, que exige disciplina e paciência para ser construída. Precisamos dos dois – me diz Laurie Anderson com sua música, seu desenho.

01.02.2005 – “The Hudson River is calm today ruffled by only a few whitecaps. I turn my head for a second. When I look back everything’s chaos.”

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Atelier de bolso #6

por Magno Silveira em 14/03/2012

Enquanto não me reaproximo da pintura em sua forma tradicional (pincel, tinta, suportes…), seguem mais algumas experiências intercalando os apps Pollock e Brushes no iPhone. Um, permite o gestual e o imprevisível; o outro, as texturas, o diálogo das cores.


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Imagens

por Magno Silveira em 14/03/2012

Existem imagens que nos seguem desde sempre. No meu caso, é a imagem do casal “Sagrado Coração”. Desde a infância, por longo tempo, contemplava a estampa religiosa na parede da copa. No final dos anos 1980 quis revolver um pouco a minha visão estabelecida da imagem e fiz um trabalho inspirado numa linguagem pop, voluntariamente “pobre” e “suja”. Utilizei lápis, guache e esmalte sintético prata. A minha intenção foi criar um espaço, uma moldura, onde a imagem do casal fosse passando como num clip musical, com movimentos repetidos e mecanizados. Com certeza para aliviar um pouco os olhos piedosos, gestos de aceitação e cores singelas daquela gravura persistente da infância. Às vezes penso em iconoclastia. Às vezes, em novas formas de reverência.


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Urupês, por Paim

por Magno Silveira em 14/03/2012

Entre os meus livros que precisam de restauração, encontro o Urupês, contos de Monteiro Lobato onde aparece pela primeira vez o Jéca Tatu. O exemplar é de 1944, publicado pela Livraria Martins Editora e parece-me ser a 4ª edição. Antônio Paim Vieira é o seu ilustrador. Paim, paulistano (1895-1988), morreu praticamente esquecido, mas foi um artista atuante nos movimentos nacionalistas do início do século XX, participando, inclusive, da Semana de Arte Moderna de 1922. É responsável pela capa da edição luxuosa de As Máscaras (1920), de Menotti del Picchia, o que lhe deu projeção como ilustrador, e por muitas outras capas das revistas Fon-Fon, A Cigarra e Para Todos. Buscou diferentes formas de expressão: pintor, ceramista, ilustrador, cenarista e professor, Paim buscou uma “estética brasileira” em seus trabalhos. Nestas ilustrações de Urupês, impressionam-me a rusticidade do pincel obtida por um movimento às vezes longo e sinuoso, às vezes curto e tosco e também as grandes capitulares integrando a mancha ilustrativa.


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Atelier de bolso #5

por Magno Silveira em 14/03/2012

Seguem mais alguns ensaios “pintados” na telinha do iPhone. Faço como uma colagem explorando a sobreposição de camadas para obter um resultado um tanto “sujo”, mas com certo lirismo que as letras ajudam a alcançar. O grande barato é lidar com a limitação do tamanho físico do aparelho, ainda mais que tenho o hábito de fazer uma pintura gestual quando lido com materiais reais. Destes três painéis, gosto mais do primeiro: resultou numa imagem mais espontânea, mais precária, porém mais expressiva.


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Eis o brilho

por Magno Silveira em 14/03/2012

A minha última postagem, sobre as estampas coloridas a têmpera, rendeu-me um e-mail de leitor assíduo e exigente cobrando uma solução que possibilite visualizar o brilho feito a clara de ovo sobre as pinturas. “Que faça a coisa acontecer”, encerrou ele o seu e-mail que me envaideceu por ter leitores assim, aguerridos. Bem, esperei o sol da tarde entrar no estúdio e consegui uns ângulos que demonstram o “verniz” das pinturas. Agradeçam ao exigente leitor este plus. De minha parte, está aqui o agradecimento e o abraço fraterno.

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Moda de igreja

por Magno Silveira em 14/03/2012

Uma vez entrei numa espécie de antiquário, mas estava mais para uma casa entulhada, com pertences de um velho italiano saudoso de sua pátria. Queria voltar logo para a Itália onde pretendia passar o resto de seus dias e estava liquidando os pertences: móveis, velhos filmes fotográficos, livros, gramofone, rádio… Ele notou minha curiosidade com os livros, foi até um quartinho (impossível para qualquer outro mortal entrar) e de lá veio trazendo uma série de gravuras colorizadas à mão. Mais de 50 folhas com estampas retratando ordens religiosas e suas vestes características. Deliciei-me com a têmpera coberta em alguns trechos por um brilho feito a clara de ovo (infelizmente é impossível perceber esse brilho aqui, nos scanners). Isto aconteceu há uns cinco anos e desde então procuro referências históricas para estas gravuras. Se alguém tiver maiores informações, queira escrever para este pobre blogueiro.


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Flâmulas

por Magno Silveira em 14/03/2012

Tenho uma pequena coleção de flâmulas, garimpadas em um antiquário mineiro. Sempre me fascinou este universo de símbolos distintivos, bandeirolas. Certamente a flâmula mantém ligação com os estandartes medievais que representavam um cavaleiro, um rei, um navio, um exército… Na minha infância vi muito dessas flâmulas de esporte, de colégio, de cidades. Falar em cidades, observe a flâmula da inauguração de Brasília: toda negra. Premonição?


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Girando na mente

por Magno Silveira em 14/03/2012

Apaixonado pela música Domingo no Parque, de Gilberto Gil,
(veja letra) fiz, há alguns anos, umas ilustrações inspiradas nas xilogravuras de cordel e nas histórias em quadrinhos na tentativa de expressar o ritmo e a dramaticidade da composição cheia de tomadas cinematográficas. Veja o que deu:



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Um baiano da Argentina

por Magno Silveira em 14/03/2012

Em 1955 foi lançada, pela Livraria Progresso Editora, uma série de 10 livretos intitulada Coleção Recôncavo. Ela aborda temas variados da Bahia, com uma breve introdução a diversos desenhos de Carybé. Hector Julio Páride Bernabó, ou Carybé (apelido que ganhou no Brasil), nasceu em 1911 na Argentina e naturalizou-se brasileiro. Morreu em Salvador em 1997 durante uma sessão num terreiro de candomblé. Com traços de alta precisão e elegância, Carybé ilustrou magistralmente os costumes baianos. Hoje faço uma postagem com amostras do caderno número 2, cujo tema é o Pelourinho. Aos poucos postarei todos os cadernos.


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Tom Zé

por Magno Silveira em 14/03/2012

“Dudu, bidu, bidu, bi, mama água
dudu, bidu, bidu, papá, dá dá – a
Quando eu cheguei das estrelas
entrei na Terra
por uma caverna
chamada ‘nascer’
e eu era uma nave
uma ave
da ave-maria
e como uma fera
que berra
entrei na atmosfera”
Assim começa a viagem do LP Nave Maria (Tom Zé, 1984). No encarte do vinil, consta o seguinte crédito: “Capa e parto depois de vinte portas – Elifas Andreato”. Pois é, mais uma obra simplesmente genial do artista gráfico que se deixou levar pela jornada visionária de Tom Zé, criando uma capa totalmente metafórica: ao retirarmos o disco da capa fazemos um parto, nasce o som, espalha-se a poesia inquieta, espevitada, de Tom Zé.


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Rato de Sebo #3

por Magno Silveira em 14/03/2012

Comemorando o IV Centenário da Fundação de São Paulo, a Cia. Antarctica Paulista lançou um livreto (1954 – 16,5cm x 12cm) com reproduções de óleos dos pintores Diógenes Duarte Paes e Pedro Alzaga, pinturas pertencentes ao acervo da Companhia. São mais de 100 páginas mostrando a São Paulo do século XIX e da primeira metade do século XX. Olhando atentamente, percebemos que os artistas tiveram o cuidado de inserir anúncios dos produtos da Cia. Antarctica em suas pinturas, como parte do cenário. Quando não estão colocados em placas ou paredes, os anúncios aparecem nas carroças puxadas a cavalo ou até mesmo nos telhados. Estratégia inteligente para colocar a empresa dentro da tradição paulistana.


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Tintin, o filme

por Magno Silveira em 14/03/2012

Encontrei num sebo dois álbuns intitulados As Aventuras de Tintim no Cinema. Sabia que fizeram adaptação de Tintin para o cinema com atores, mas até hoje eu não havia encontrado nenhum material impresso sobre o assunto. Foram feitos dois filmes: Tintin e o Mistério do Tosão de Ouro (1960) e Tintin e as Laranjas Azuis (1964). Direção de André Barret, produção de Jean-Jacques Vierne, com Jean-Pierre Talbot no papel de Tintin. Impressionante como conseguiram transpor as características físicas dos personagens dos quadrinhos de Hergé para a telona. Além da fiel aparência de Tintin, temos o Capitão Haddock, o destemido Milu, o professor Girassol, os investigadores Dupont e Dupond, todos muito bem caracterizados. No Amazon.com podemos comprar esses filmes em DVD na versão original, em francês.

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Atelier de Bolso #4

por Magno Silveira em 14/03/2012

Explorar esta espécie de colagem com letras é estimulante. As formas são apenas álibi. Como disse-me certa vez Orlando Castaño, artista plástico e meu professor nos idos de 1983:
– A gente pinta o mesmo quadro a vida toda.


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Rato de sebo #2

por Magno Silveira em 14/03/2012

A Livraria José Olympio Editora publicou ótimas edições de nossos escritores. Uma delas é a coleção, em capa dura, da obra de José Lins do Rego. Lançada em 1961, traz belas gravuras de Luís Jardim. Nordestino de Garanhuns, o artista foi premiado pelo livro O Boi Aruá, sua obra mais conhecida, baseada em conto popular. Olhando essas cuidadosas edições, sinto falta de uma publicação que reúna as obras desses ilustradores brasileiros tão importantes e tão esquecidos.


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Incursões

por Magno Silveira em 14/03/2012

Vez em quando ocorrem-me alguns poemas. Em 1984 surgiu-me no sonho, prontinho, cristalino:
As pedras do meu céu
magras mulheres puxando o véu
e se transformando
– nuvens –
Naquela época, concretizei o sonho em pedra de cachoeira:

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Estampas Eucalol

por Magno Silveira em 14/03/2012

Em 1930 a Myrta, indústria de essências, começa a vender o sabonete Eucalol em caixa contendo 3 sabonetes e 3 estampas coloridas. Foi um estrondoso sucesso e as famosas Estampas Eucalol foram distribuídas até 1960, quando a embalagem do sabonete foi reformulada para sabonete individual. As imagens postadas abaixo, foram extraídas do livro de Samuel Gorberg (Estampas Eucalol, Imprinta, 2000), colecionador que possui todas as Estampas Eucalol, de todas as séries. As Estampas Eucalol foram cantadas em notas e versos pelo compositor nordestino Xangai:
Montado no meu cavalo
Libertava prometeu
Toureava o minotauro
Era amigo de teseu
Viajava o mundo inteiro
Nas Estampas Eucalol
À sombra de um abacateiro
Ícaro fugia do sol.
(…)

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Clichés

por Magno Silveira em 14/03/2012

Por volta de 1820, na França, teve início a inserção de imagens nos textos (no processo industrial de impressão), o que mudou de maneira significativa a percepção do leitor. Então surgiram os catálogos de clichês oferecendo matrizes com uma grande diversidade de imagens: vinhetas, filetes, guarnições, símbolos, natureza, objetos, mapas, animais etc. As imagens que são postadas hoje foram extraídas de uma edição fac-similar do Catálogo de Clichés D. Salles Monteiro, do início do século XX (sem data precisa). A importância desse catálogo é a grande quantidade de imagens nacionais que ele possui, pois em geral eles provinham da França ou da Inglaterra, sendo renovados periodicamente. Aqui segue então uma pequena amostra desse catálogo de clichés brasileiro.


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Rato de sebo

por Magno Silveira em 14/03/2012

Está no livro Ex-Libris, de Plinio Martins Filho: “O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra. O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883-1968), por exemplo, indagava sarcástico: Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui? “. A origem da expressão ex libris é do latim, significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”. Seguem alguns ex-libris para deleite.


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Garimpando vinil #3

por Magno Silveira em 14/03/2012

Gostaria de ter feito projeto gráfico para algum vinil. Aquele quadrado de 12 polegadas foi (e é) suporte para muita obra genial. Elifas Andreato que o diga. Deitou e rolou na criatividade, produzindo mais de 300 capas a partir dos anos 1970. Criou algumas obras-primas e, dentre elas, cultivo um carinho especial por dois projetos – os LPs de Fátima Guedes, de 1980 (Fátima Guedes) e de 1981 (Lápis de Cor), produzidos com requintes de acabamento: um deles é encadernado com uma espiral, remetendo a um caderno de anotações íntimas. Esses projetos gráficos transmitem o frescor, a naturalidade, o romantismo despretensioso da cantora que despontara há pouco na MPB. Para sentir toda a delicadeza desses dois trabalhos, só manipulando, abrindo, folheando, descobrindo. Seguem aqui algumas imagens para que vocês possam conferir a criatividade do meste Elifas Andreato.

Fátima Guedes – 1980


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