Rato de sebo #2

por Magno Silveira em 14/03/2012

A Livraria José Olympio Editora publicou ótimas edições de nossos escritores. Uma delas é a coleção, em capa dura, da obra de José Lins do Rego. Lançada em 1961, traz belas gravuras de Luís Jardim. Nordestino de Garanhuns, o artista foi premiado pelo livro O Boi Aruá, sua obra mais conhecida, baseada em conto popular. Olhando essas cuidadosas edições, sinto falta de uma publicação que reúna as obras desses ilustradores brasileiros tão importantes e tão esquecidos.


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Incursões

por Magno Silveira em 14/03/2012

Vez em quando ocorrem-me alguns poemas. Em 1984 surgiu-me no sonho, prontinho, cristalino:
As pedras do meu céu
magras mulheres puxando o véu
e se transformando
– nuvens –
Naquela época, concretizei o sonho em pedra de cachoeira:

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Estampas Eucalol

por Magno Silveira em 14/03/2012

Em 1930 a Myrta, indústria de essências, começa a vender o sabonete Eucalol em caixa contendo 3 sabonetes e 3 estampas coloridas. Foi um estrondoso sucesso e as famosas Estampas Eucalol foram distribuídas até 1960, quando a embalagem do sabonete foi reformulada para sabonete individual. As imagens postadas abaixo, foram extraídas do livro de Samuel Gorberg (Estampas Eucalol, Imprinta, 2000), colecionador que possui todas as Estampas Eucalol, de todas as séries. As Estampas Eucalol foram cantadas em notas e versos pelo compositor nordestino Xangai:
Montado no meu cavalo
Libertava prometeu
Toureava o minotauro
Era amigo de teseu
Viajava o mundo inteiro
Nas Estampas Eucalol
À sombra de um abacateiro
Ícaro fugia do sol.
(…)

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Clichés

por Magno Silveira em 14/03/2012

Por volta de 1820, na França, teve início a inserção de imagens nos textos (no processo industrial de impressão), o que mudou de maneira significativa a percepção do leitor. Então surgiram os catálogos de clichês oferecendo matrizes com uma grande diversidade de imagens: vinhetas, filetes, guarnições, símbolos, natureza, objetos, mapas, animais etc. As imagens que são postadas hoje foram extraídas de uma edição fac-similar do Catálogo de Clichés D. Salles Monteiro, do início do século XX (sem data precisa). A importância desse catálogo é a grande quantidade de imagens nacionais que ele possui, pois em geral eles provinham da França ou da Inglaterra, sendo renovados periodicamente. Aqui segue então uma pequena amostra desse catálogo de clichés brasileiro.


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Rato de sebo

por Magno Silveira em 14/03/2012

Está no livro Ex-Libris, de Plinio Martins Filho: “O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra. O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883-1968), por exemplo, indagava sarcástico: Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui? “. A origem da expressão ex libris é do latim, significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”. Seguem alguns ex-libris para deleite.


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Garimpando vinil #3

por Magno Silveira em 14/03/2012

Gostaria de ter feito projeto gráfico para algum vinil. Aquele quadrado de 12 polegadas foi (e é) suporte para muita obra genial. Elifas Andreato que o diga. Deitou e rolou na criatividade, produzindo mais de 300 capas a partir dos anos 1970. Criou algumas obras-primas e, dentre elas, cultivo um carinho especial por dois projetos – os LPs de Fátima Guedes, de 1980 (Fátima Guedes) e de 1981 (Lápis de Cor), produzidos com requintes de acabamento: um deles é encadernado com uma espiral, remetendo a um caderno de anotações íntimas. Esses projetos gráficos transmitem o frescor, a naturalidade, o romantismo despretensioso da cantora que despontara há pouco na MPB. Para sentir toda a delicadeza desses dois trabalhos, só manipulando, abrindo, folheando, descobrindo. Seguem aqui algumas imagens para que vocês possam conferir a criatividade do meste Elifas Andreato.

Fátima Guedes – 1980


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Um craque

por Magno Silveira em 14/03/2012

Aqui no estúdio temos o privilégio de compartilhar espaço com o Jean Galvão e toda sexta-feira, observo o seu processo de criação da charge para a Folha de sábado. Dá para perceber o toque de angústia criativa que ronda a sua prancheta. Rafes e rafes postos de lado, anotações de idéias, leitura de jornal. Um dia avisei que postaria um de seus rafes aqui, acho que ele concordou. Estes desenhos aí foram feitos ontem, à caça de idéia para a charge que foi publicada hoje, sábado. O Sarney esteve por um triz…

Atelier de bolso #3

por Magno Silveira em 14/03/2012

Seguem mais alguns trabalhos feitos na telinha do iPhone:

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Percy Lau

por Magno Silveira em 14/03/2012

Creio que todos nós acima de 40 anos já convivemos com alguma ilustração de Percy Lau. Seus bicos-de-pena marcaram muito os livros escolares nos anos 1960/70. Peruano – nascido em Arequipa, 1903 – Percy Lau se tornou artista brasileiro. Morreu em 1972 no Rio de Janeiro. Ilustrou uma coleção de 10 volumes intitulada Viagem Através do Brasil, que pretendo mais à frente postar alguns exemplares. Hoje mostro seu trabalho para a clássica publicação do IBGE, Tipos e Aspectos do Brasil. A primeira edição desse livro começou a circular em 1939, época marcada por uma política cultural nacionalista, mas tenho duas edições já de 1966 (8ª. edição) e outra de 1975 (10ª edição ampliada). Certamente os desenhos precisos de Percy Lau transcenderam as marés políticas e trazem ainda hoje a vivacidade do Brasil interior. Magno

Garimpeiros
Travessia de gado
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O eterno Barão de Münchhausen

por Magno Silveira em 14/03/2012

A escola do meu filho adotou a leitura do livro As Loucas Aventuras do Barão de Munchausem. Coleção Meus Clássicos, Editora Salamandra, 2003, tradução e adaptação de Heloisa Prieto, ilustrações de Laerte, 72 páginas. Quando vi o livrinho, admirei: muito diferente daquele que eu lia quando criança lá pelos idos de mil novecentos e tal. Eu viajava numa edição da Editora Globo, 1953, organizada por Gottfried August Bürger, ilustrações de Gustave Doré, 200 páginas. Recentemente consegui uma edição francesa, de 1887, também ilustrada pelo genial Doré. Sem saudosismos, de peito aberto, comparei as edições e coloco aqui algumas imagens para que você também possa comparar. Para vê-las melhor, clique sobre elas. Magno


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Atelier de bolso #2

por Magno Silveira em 14/03/2012


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Atelier de bolso

por Magno Silveira em 14/03/2012

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Garimpando vinil #2

por Magno Silveira em 14/03/2012

Tive a sorte de chegar num sebo bem na hora em que um radialista estava se desfazendo de todos os seus vinis (!!!) porque tinha convertido tudo pra CD. Foi uma festa. Tinha Tom Zé’s raríssimos, Luizes Melodias… e também essa trilha sonora do filme de Walter Lima Jr. Brasil Ano 2000, lançado em 1969. Composições de Gil, Caetano e Capinam, arranjos de Rogério Duprat. Sons ousados e experimentais, mas a música que mais gosto é Retreta, um som de “bandinha xopotó”, bem interiorana. Texto da contra-capa do vinil: “Uma sátira feroz, um filme-síntese, um grande espetáculo, (…) que pinta em cores fortes a fábula brasileira após uma III Guerra Mundial.”. Biscoito raríssimo, queridos ouvintes. Merece um resgate em CD ou, melhor, vinil.

Garimpando vinil

por Magno Silveira em 14/03/2012

Gosto de garimpar vinis por aí. Este é um compacto da Elis Regina, autografado por ela e pelo Jair Rodrigues em 13/06/1965, com quem ela fazia parceria no início de carreira. Quando ela era chamada jocosamente de “Hélice Regina”, porque nas suas apresentações girava os braços compulsivamente… Curiosidade: comprei este vinil por R$ 1 real, estava jogado no chão junto a muitos outros, numa feira popular daqui de S.José.